CAMINHO SOLITÁRIO


Eu, Uziel, cansado da fome espiritual, meu caminho solitário fiz.

Após a partida de um grande amor, parte indivisível de mim mesmo, a bela Marieta, deixou um espaço dolorido. Convivendo com a indiferença de minha filha ausente Julieta, passei a dedicar-me de forma contundente ao chamado de minha vocação como repórter policial do “Agora”, aqui em Polis.

Antes de minha aposentadoria escrevi bons textos, alguns premiados e outros muito elogiados pelos colegas de redação e de bar. Lugar onde entre vários drinks regados a cigarros, torresminhos, porções de linguiça e visitas das primas no bar do Thor, tenho encontrado inspiração e motivação para viver.

Vida esta, ameaçada pela forte febre, falta de ar, de sono e expectoração esverdeada que me fizeram parar de fumar há três dias e me dirigiram ao posto de atendimento médico aqui na zona norte de Polis, na UPA Salonica. Onde fui prontamente atendido por três juntas médicas que me fizeram entender melhor sobre os malefícios do fumo, álcool, alimentação de baixa qualidade e aventuras sexuais.


O primeiro atendimento foi realizado pela junta médica formada por: Michelle, Karen e Francinny. Teve início às 08h e terminou às 08h50. Com leveza, conhecimento e acolhimento, pude sentir um misto de generosidade, humor, assertividade e espírito proativo no diagnóstico. O que levou-me, à contragosto, pactuar uma provável internação, dependendo do resultado dos exames complementares.


O segundo atendimento iniciou às 09h20 e finalizou às 10h05. Neste, fui assistido pelos doutores Henrique, Rodrigo e por Pollyana. Eles foram por demais investigativos a cerca do meu histórico de saúde. Trataram de questões pontuais e também sobre meus hábitos e costumes, porém, de forma sempre profissional e repleta de formalidades.


Parti então para o terceiro atendimento. Ocasião esta em que fui acolhido por quatro jovens doutoras: Ana Laura, Aline Ventura, Érika Cristina e Mariana Nogueira. Elas demonstraram grande objetividade nas abordagens: preocupação com meu estado emocional, com minhas condições de saúde e predisposição ao acolhimento humanitário. Chegaram a propor uma internação que refutei veementemente, haja vista que tenho em casa uma samambaia e pombos a quem devo cuidados.


Esta consulta teve seu início às 10h30 e seu término às 11h10. A pedido da doutora titular, pude externar minha satisfação com relação ao atendimento. Momento este em que pude enfatizar o engajamento, os cuidados, a empatia, o profissionalismo e a abertura para a escuta dos medos e traumas pelo qual passa um homem com 63 anos de idade. Habituado a refugiar-se atrás da fumaça do cigarro, do sabor de um destilado, das resenhas policiais, da política e da futebolística ao lado de amigos de botequim.


Deverei permanecer por aqui até o final da tarde, serei medicado e, pelo que foi pactuado, mesmo contra minha vontade, deverei ser internado, a depender dos resultados dos exames pedidos.


Oremos ao deus Esculápio!!!


Ps: Apenas uma pequena parte do terceiro atendimento foi gravada - esquecimento.


Mas tem de haver mais.

Gratidão.

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